Capítulo 07 – Cada um no seu quadrado. #test

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— Acordo em cima do horário com minha mãe me chamando, esqueci que o celular não ia tocar porque quebrou… Me arrumo pra ir à escola, sem nem mesmo me olhar no espelho.

— Filha, quer que te leve?

—  Não precisa mãe, dá tempo.

Saio de casa e aperto o passo. Acabo de entrar e bate o sinal. O moço estressado já está no portão, então entro rápido pra não ouvir ele gritando. Encontro com a Melissa no corredor e ela vem gritando:

— Bom dia, celebridade!

— Bom dia! Ainda tô com sono…

— Que desânimo! Vamos, acorda a gente tem que aproveitar o tempo!

— Queria aproveitar mais a cama.

— Hoje vai ser legal. Vamos.

— E você tá de bem com a vida. Viu o passarinho verde hoje foi?

— Por quê? Não posso gostar de estudar?

— Claro que pode, mas se exagerar não ficam te zoando não?

— Não tô nem aí pra isso.

Entramos na sala e sentamos em nossos lugares. Enquanto não vem nenhum professor, continuamos conversando.

— E qual é a da bandana? Agora virou ninja?

— Essa não é uma bandana qualquer… É a bandana do AXL Rose!

— Ah, você curte rock.

— Tem alguém não curte?

— Bom, na minha outra escola a maioria das pessoas gostam de funk.

— Ah, tem gosto pra tudo, tem gente que curti… Respeito porque acho que é importante ter várias opções para as pessoas. Mas eu gosto de rock. E gosto principalmente de cantar… E você?

— Não, cantar não é minha praia. Sei um pouco de violão.

— Sério? Era isso que eu tava procurando, uma guitarrista pra montar uma banda.

— É… Eu não sei se você entendeu muito bem, eu disse que toco violão.

— Ah, mas não é tão diferente assim…

— Na verdade é… (Responde Hudson que acaba de chegar e entra na nossa conversa)

— Você também toca violão, Hudson? (Fico morrendo de curiosidade)

— Baixo, mas eu parei…

— Por quê?

Entra Silvana e a nossa conversa é interrompida…

— Depois te conto (cochicha bem baixinho pra gente)

— Good morning, class!

— Abram a apostila, hoje a gente vai fazer o exercício da página quarenta e dois…

A gente faz uma interpretação de texto com dez perguntas e entrega para a professora.

Hoje o Richard faltou. A sala parecia outra. Nunca pensei que tivessem alunos que fizessem a tanta diferença na classe.

Aula de matemática e a prô Renata aplica uma prova. Acho que vou fazer prova a semana inteira, isso é coisa que só acontece comigo viu!

— Pessoal, a prova vai ter seis questões. Uma de três pontos, duas de dois pontos e três de um ponto. Boa sorte!

— Começo a resolver. A prova está difícil e vejo que a maioria não sabe nem como armar as contas…

Depois de uns dez minutos, escuto o Hudson:

— Professora, terminei, posso dormir um pouco?

— Pode, eu já recolho a prova.

Que pilantra! Percebo que ele só respondeu três questões! Continuo a fazer minha prova. Depois de uns vinte minutos Melissa é a segunda a terminar. Sou a terceira a entregar. Passam dez minutos para o restante da sala começar a entregar. Termina a aula e a professora recolhe a prova de quem não tinha terminado. Mais ou menos uns dez alunos. Já vi que a turma daqui também tem dificuldade com as contas.

Entra o professor Heleno e começa com a aula de história. Conto pra ela que fiz o resumo dos filmes ontem, mas que vou revisar antes de entregar. Conto também que vi o Luigi (agora lembrei o nome!) na locadora.

Chega Félix com seu sorriso até a orelha pra dar aula de Português.

— Bom dia, galera, tudo bem? Hoje vou comentar sobre as redações de ontem, ok?

— Já corrigiu? (Pergunto espantada).

— Já! E gostei muito da sua redação. Você escreve muito bem, viu mocinha?

— Obrigada professor! (Fico sem jeito enquanto metade da sala claramente me encara com vontade de me esganar!)

Ele devolve nossas redações, cheia de anotações. Em caneta verde ele escreveu elogios. Em roxo ele colocou observações para ficarmos mais atentos por causa de alguns erros. Fico com nota oito e meio. Dá o intervalo e Melissa volta a me abordar:

— La, você ainda não me respondeu sobre a banda!

— Então, Melissa, eu… na verdade só aprendi porque meu pai ensinou, mas o que eu gosto mesmo é da área de moda…

— Uau! Eu tinha notado que você realmente se veste bem, mas não imaginava que queria levar isso tão a sério.

Melissa insiste:

— Você pode fazer as duas coisas, ué…

— Tá bom, eu vou pensar mais um pouco.

Acaba o intervalo e voltamos para a sala.

— Matemática de novo? Não me fala que tem prova outra vez! (Pergunto pra Melissa).

A professora entra, espera todo mundo se acalmar e se acomodar nos lugares.

— Pessoal, vou entregar as provas e a gente vai refazer as quatro questões mais difíceis.

Fico com nota nove. Que pena, por uma! Melissa fica com dez. Hudson, para minha surpresa, sete! Vai ser sortudo assim em outro lugar. Acertou todas as que fez…

Entra Aline e começa a aula de ciências. Ela continua a explicação sobre as transformações químicas. A aula passa voando. Me despeço das meninas. Hoje não tem lição de casa. Eba!

— La, que tal a gente tomar sorvete mais tarde? Queria te apresentar algumas pessoas…

— Tenho que pedir pra minha mãe, eu não sei.

— Posso passar umas duas horas na sua casa pra saber?

— Acho que não tem problema.

Melissa me acompanha até o portão de casa.

— Quer entrar?

— Não, não, depois eu passo. Eu também não falei pra minha mãe que eu ia demorar pra chegar.

— Tá, até mais tarde, tchau!

— Tchau!

Entro em casa e encontro Amanda chorando.

— O que aconteceu?

— Nada filha. Eu só tô um pouco nervosa.

— Me conta.

— Não é nada filha. Pode ficar tranquila. O almoço tá pronto. Vá trocar de roupa pra comer.

— Tá. Tem certeza que não quer falar comigo?

— Mais tarde a gente conversa filha.

Troco de roupa e desço pra almoçar.

— Posso ir tomar sorvete com umas meninas lá da escola?

— Desculpa filha, eu tô sem dinheiro.

— Não precisa, eu não gastei todo dinheiro que você me deu pra comprar as coisas para fazer o trabalho ontem.

— É perto?

— Sim, é perto da escola.

— Vai só meninas ou…

— Sim, só meninas!

— Vão demorar muito?

— Não sei, a Melissa ia passar aqui umas duas horas porque eu disse que ia pedir pra você primeiro.

— Quem é Melissa?

— Uma menina que eu fiz amizade. Ela disse que mudou a pouco tempo aqui também. É a melhor aluna da sala.

— Sério? Que bom. Acho que não tem problema. Ah, por que você não pede ajuda pra ela pra achar uma loja pra comprar o celular?

— Boa! Vou fazer isso!

— Tô indo, já está na hora de voltar ao trabalho.