Capítulo 08 – Averiguei o mistério #puzzle

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Amanda me beija e vai para o trabalho. Termino de almoçar e faço a capa do trabalho, aproveito para corrigir algumas palavras que escrevi errado. E as duas horas em ponto escuto me chamarem:

— Lavííííneaaaaaa!

São as meninas.

— Oi Melissa, oi Camila, oi Laura.

— Eu sou a Lara! Laura é minha irmã gêmea.  A gente tá na mesma sala, mas quem conversou com você antes foi a Laura.

— Ah, que mico. Desculpa mesmo, tá?

— Eu já tô acostumada, nem ligo mais.

— E a …

— Laura.

— Ela não, vem?

— Não ela tá trabalhando, mas não se preocupa você vai ver ela. A Laura trabalha na sorveteria.

— Ah…

Melissa tenta quebrar o gelo ao perceber que a Lara ficou chateada.

— Então hoje o sorvete é na faixa?

— Sim, você vai pagar pra gente. (Lara sorri).

— Gente, se precisar eu ajudo vocês a pagar. (Diz Camila).

Tento não ser chata.

— O meu eu pago!

Entramos na sorveteria. Vejo que tem bastante gente da escola. As meninas me apresentam algumas pessoas. Conversamos e rimos muito. Chega a hora de ir e as meninas se despedem.

— Tchau! Até amanhã!

— Melissa. Você já tem que ir?

— Não tenho pressa, por quê?

— Eu queria passar em alguma loja ver um celular.

— Tá bom, vamos. Tem algum modelo específico que você quer ver?

— Tem um que o canto da tela é arredondado.

— Ah, sim. Eu sei qual é. É o S alguma coisa lá. Eu sei onde vende.

Após algumas horas pesquisando e dizendo aos vendedores que “Só estou dando uma olhadinha”, finalmente nos despedimos.

Chego em casa. Papai ainda não está. Amanda, parece estar mais calma, mas nada contente.

— Oi, cheguei!

— Oi, filha.

— Tá tudo bem.

— Não, as coisas não estão muito bem. Seu pai não vem hoje de novo.

— Por favor, não me diga que ontem ele se acidentou?

— Não, não é nada disse. Ele está bem. Muito bem. Mas eu não quero falar disso agora. Me conte sobre como foi o seu dia.

Conto toda história das meninas que conheci, tentando distrair ela de seja qual for o motivo dela estar nervosa. Mais um dia termina. Vou dormir para acordar cedo e ir à escola novamente.

No outro dia chego cedinho os inspetores estão no portão conversando. A inspetora, um doce:

— Bom dia!

O estressadinho, tirando onda com minha cara:

— Bom dia, turista! Júlia, essa é a menina que eu te falei que se mudou esses dias.

— Bom dia, seu…

— Estevão. E aí, tá gostando da escola?

— É, tô tentando me acostumar.

— Desculpe pelo outro dia. É que tem um pessoal que é muito folgado, todo dia chega atrasado!

— É, sei bem como é… Na minha outra escola também tina gente assim. Não esquenta, eu entendo. Tchau.

Começam as aulas. Primeiro duas fazendo conta com a Renata, depois uma com o Evandro. Aproveito para pedir pra ele olhar se tá certo o trabalho, ele elogia bastante, mas diz que precisa de algumas correções. Conheço o professor de Educação Física, Luiz Augusto, finalmente um professor que não fica só dando futebol para os meninos e vôlei para as meninas, gostei.

Então, pra sair da rotina, após o intervalo chega aquele professor com a risadinha no rosto. Ele mesmo Félix:

— Bom dia turma, vocês estão bem?

Richard resmunga na minha frente:

— Lá vem, quando ele começa assim tem coisa.

O professor de português começa o discurso:

— Pessoal só preciso de mais uma nota para fechar as médias de vocês. Aqui, mas tem muita gente que ainda está com nota vermelha ou por ter ido mal nas avaliações ou por ter faltado. Vocês têm duas opções para recuperar a nota: fazer uma prova com vinte questões ou resolver um dos meus enigmas. Podem escolher.

Escuto a maioria da sala respondendo:

— Passa a prova professor. Por favor.

De repente, Hudson:

— Eu quero o enigma!

Richard, logo em seguida diz que também quer fazer o enigma.

Eu me animo, e peço também:

— Professor, eu também prefiro o enigma.

Melissa, me olha espantada.

— Tem certeza?

— Claro, o que pode dar errado?

— Tá, eu também vou pedir. Mas só pra você saber eu nunca consigo responder eles a tempo. Só tem um aluno aqui que consegue, por isso que a maioria prefere fazer prova.

O professor entrega a prova para os alunos e também o enigma pra gente.

“Um homem, mesmo não sendo tão forte é capaz de levantar um rei e uma torre. Como isso é possível?”

Embaixo, no lugar para marcar a resposta cinco quadrados como os de palavras cruzadas. Um pouco mais abaixo, as dicas:

• Música favorita do professor.

• “There was a rock in the way.” (Uma citação, mas sem o autor).

— Eita! (Agora eu me dei mal)…

Melissa tenta a pedir uma dica:

— Professor, qual é a sua música favorita?

— Crazy, do Aerosmith.

— Isso aí, é nóis prof.

Cinco minutos se passam e Richard é o primeiro a entregar a atividade. Logo em seguida Hudson também entrega. Ambos começam a dormir na carteira. Estou encrencada não faço ideia e como resolver o enigma. Peço com jeitinho:

— Professor, pode em dupla?

Félix coça a cabeça, suspira e responde:

— Certo, mas só dessa vez!

Melissa põe a cadeira do meu lado e pergunta qual é o plano. Digo que ainda estou em dúvida.

— Será que o Richard acertou?

— Eu acho que não La, ele sempre termina correndo só para entregar antes do Hudson, mas provavelmente errou. É só pra chamar a atenção.

— Então vamos as dicas. Qual você acha que é a resposta

— Louco. Uma pessoa achar que pode levantar a torre e um rei, só pode ser louco. Além disso é o nome da música.

— Entendi… Até aí faz sentido, mas e o poema?

— Hum… Se não me engano é do Carlos Drummond de Andrade. Havia uma pedra no meio do caminho. É um poema que não sai disso, só fala da pedra. Também só pode ser coisa de louco. E a quantidade de letras dá certo.

— Não sei não. Acho que tem alguma coisa errada. Por que a citação tá em inglês?

— Então é crazy que é louco em inglês!

— Eu tenho a sensação de que estou deixando passar algo importante que eu já aprendi… E ele não iria escrever a resposta de forma tão óbvia.

— Tá o que você acha que pode ser?

— Em primeiro lugar, eu lembro que esse trecho do poema não é autoria do Drummond, mas uma referência a outra obra “A Divina Comédia de Dante Alighieri”.

— Então Dante também cabe.

— Acho que não. Acho que ele quis confirmar exatamente o oposto, que não é o poema de Alighieri, mas sim do Drummond.

— Por que você acha isso?

— Porque ele escreveu “There was a rock in the way” e no original não está rock, mas stone. Minha professora de Inglês da outra escola me passou esse poema.

— E a música?

— Hum… Aerosmith não é uma banda de rock?

— Faz sentido, mas são cinco letras e rock tem quatro, não?

— Acho que vou arriscar que tenha uma versão para a escrita em português como acontece com basketball e basquetebol.

— Então fica assim? Roque?

— É. Mas eu ainda não entendi como isso se encaixa na pergunta!

O tempo passa. Apenas cinco minutos para acabar a aula e nem eu, nem a Melissa chegamos a lugar algum.

— Eu vou colocar louco mesmo.

— Prefiro continuar com roque.

Entregamos nossas atividades. Fico com raiva por não fazer nem ideia se minha resposta está certa. Estamos no final da última aula que é de história e eu não consegui pensar eu outra coisa. Então Melissa me sugere:

— Então por que a gente não pergunta para os meninos o que eles responderam?

— Só se você for junto comigo.

— Okay, eu pergunto.

Primeiro a gente chama o Richard.

— E aí, o que você respondeu?

— Hã? Como assim?

— No enigma de português!

— Ah, tá! Eu coloquei Félix!

— O quê? Como assim?

— Eu só queira algo queria terminar logo…

— Tá, valeu.

Melissa olha para minha cara toda convencida:

— Eu te avisei que ele provavelmente tinha errado escrito qualquer coisa só pra entregar logo.

—Vamos perguntar pro Hudson.

— Dessa vez você pergunta!

— Por quê?

— Porque é sua vez!

Hudson está quase dormindo na carteira. Bato no ombro dele.

Ele olha bravo pra mim.

— O que foi?

— Quero saber o que você respondeu no enigma de português!

— Por quê?

— Porque me falaram que só você acerta e o professor falou que só ia corrigir depois, mas eu não tenho paciência de esperar até amanhã.

— Por que eu tenho que te dizer?

— E por que não quer dizer?

— Aff… pelo jeito você é uma daquelas chatas que gostam de insistir. Dá menos trabalho eu responder… Eu coloquei roque.

— Uhul! Tá vendo Melissa, acertei! Mas, Hudson, por que roque?

Ele olha para baixo e põe a mão na testa.

— Você já jogou xadrez alguma vez na vida? É um movimento especial do jogo, o único que você pode mover duas peças que são justamente o rei e a torre…

— Ah, agora eu entendi… Obrigada!

Termina a aula. Melissa pergunta se pode passar na minha casa mais tarde para conversar. Respondo que sim.

— Tchau! Até mais tarde!